“Não nasci na Covilhã, mas ela fez parte da minha infância até aos meus dez anos. Por sorte, foi na Covilhã que o meu pai terminou a sua carreira militar, no antigo Regimento de Infantaria 21, como 2.º Comandante, naquele edifício que é agora a belíssima Universidade da Beira Interior. Também na altura, a minha mãe, como professora de piano, teve a oportunidade de ensinar muitas das meninas da cidade, muitas delas da minha idade e que um dia, tal como eu, pisaram um palco pela primeira vez.
É verdade. Foi na Covilhã que, no dia 17 de julho de 1936, pisei pela primeira vez um palco, naquele que é hoje o Teatro Municipal da Covilhã. Já passaram 90 anos e, ainda hoje, a Covilhã está no meu coração e também no coração dos meus filhos e netos, que sempre que podem a visitam e por lá passam uns dias, na casa que o meu filho recuperou, como se eles próprios tivessem ali vivido noutras épocas.
As memórias que tenho dessa linda cidade, ainda cheia de neve, com o seu lindo Pelourinho, bem perto da casa onde vivi, ou a capelinha do Calvário, a memória dos meus colegas, alguns deles bem ilustres como o António Alçada Baptista, são por si só o suficiente para estar de corpo inteiro a apoiar a candidatura da Covilhã a Capital da Cultura 2028.”
Texto: Ruy de Carvalho
Foto de arquivo: Lusa
