No Dia Mundial do Cabeleireiro, a Beira Baixa TV dá-lhe a conhecer a história de vida de Susana Pascoal, mais conhecida por Suzy.
Um percurso de cerca de 25 anos. Duas formas de arte que se cruzam nos palcos que Suzy pisa enquanto artista.
O dia começa cedo na Suzy Cabeleireiro e Estética.
Analisar a agenda para distribuir tarefas e conciliar trabalhos, certificando-se de que todas as clientes são atendidas no horário marcado. Parece fácil, mas não é: “porque trabalhos técnicos levam o seu tempo, e cada cabelo responde de forma diferente”.
Entre cabelos, gerir o stock, gerir o tempo e, nos intervalos, resolver questões da área musical, ainda tem de haver tempo para o resto, que é tanto: “ser mãe, dona de casa; tem de sobrar tempo para brincadeiras e boa disposição entre clientes e colegas de trabalho; há dias, em que trabalhamos dez horas seguidas e, mesmo assim, continuamos com um sorriso no rosto para quem nos visita, porque nós não cuidamos apenas de cabelos, cuidamos de pessoas”.
É assim desde 2016, ano em que Susana Pascoal, mais conhecida por Suzy, abriu o seu espaço, um negócio que tem vindo a crescer, ao longo de uma década, fruto do empenho e formação constantes: “mantenho os estilos clássico e moderno atualizados e, recentemente, decidi crescer mais um pouco e concluí CCP (Certificado de Competências Pedagógicas) podendo, portanto, dar formação e partilhar os meus conhecimentos”.
Porque, antes de poder partilhar conhecimentos, também os recebeu: “com 14 anos de idade, no final da escola e aos fins-de-semana, ajudava a lavar cabeças e a dobrar toalhas, num salão que a minha mãe frequentava”.
Suzy sempre quis ser exatamente o que é: cabeleireira e cantora, e foram muitas as portas em que bateu para concretizar estes sonhos de menina: “aos 15 anos de idade, decidi bater à porta dos Cabeleireiros de Castelo Branco, mostrando a minha vontade em aprender e trabalhar na profissão; nessa minha procura, encontrei um espaço que me deu a oportunidade, ela perguntou-me: “tens experiência?” e eu respondi: “não, mas tenho muita vontade de aprender”.
Suzy teve o primeiro trabalho como ajudante de Cabeleireira, aos 16 anos, no Salão D`Arte: “espaço que me ensinou muito sobre cabelos e sobre a realidade da vida”.
Entre desistências e regressos, chegou uma altura em que só saber, de nada valia, era necessária a certificação. Foi aos 20 anos que Suzy concluiu o seu curso de Cabeleireira, e adquiriu novos saberes: “passei por mais um espaço, que guardo com carinho, Nand`arte Cabeleireiro, onde adquiri mais conhecimentos e crescimento na área; termino o meu percurso, como funcionária, no Granja Cabeleireiros”.
Foi nesta altura que `a vida ficou em suspenso`, com a morte do pai e uma gravidez de risco, que a forçou a interromper todas as atividades.
`Depois da tempestade, vem a bonança` – um ditado cumprido com a abertura do Suzy Cabeleireiro e Estética.
Com um percurso de cerca de 25 anos na área, para esta profissional, ser Cabeleireira é muito mais do que tratar, cuidar e transformar cabelos, é cuidar e transformar mulheres: “quando alguém nos procura, para um simples corte ou para fazer `balayages`, é preciso entender o porquê da mudança e, às vezes, o que a levou a ter essa necessidade; cabe-nos a nós, profissionais, entender e aconselhar para que a nossa cliente se sinta bonita, confiante e valorizada; este é o meu objetivo final, em cada atendimento.”
Cada vez mais, Suzy sente que acolhe emoções e devolve a confiança a quem se senta nas suas cadeiras: “sinto que sou boa ouvinte, consigo colocar-me no lugar das outras pessoas e acolher o verdadeiro sentimento que me transmitem; eu tento sempre, deixá-las mais leves e confiantes durante o meu atendimento; cada vez mais, os sentimentos estão `à flor da pele`, a maioria da sociedade vive em modo automático, as responsabilidades do dia-a-dia que, a maioria das mulheres carrega fazem, por vezes, com que se esqueçam de cuidar de si, e é aí que começa o processo da baixa auto-estima”.
Há profissões que têm o poder de mudar um dia na vida de alguém, e Suzy considera ser o caso da sua: “já fiz a diferença na vida de algumas pessoas que procuraram a minha ajuda, muitas delas, para lhes devolver um cabelo saudável e cuidado, processos que levam tempo como consequência de diagnósticos errados; procuram-me, também, em busca da imagem perfeita e idealizada por elas, a maior parte procura as tão famosas `balayages`, em que utilizo a minha técnica, uma junção de conhecimentos que adquiri e aqui, tenho a certeza que, não só fiz a diferença nesse dia, como nos meses que se seguiram”.
Ser Cabeleireira é também, um ato de escuta e foram muitas as histórias, da vida real, que Suzy já escutou, até porque muitas se refletem no cabelo: “as histórias que mais me marcam são aquelas em que, por motivos de saúde ou traumas emocionais, eu fico incapacitada de travar algum sintoma no couro cabeludo e aí, só me resta cuidar do exterior, enquanto outros agentes, atuam no tratamento interior dos organismos; claro que as histórias mais marcantes são as de doença oncológica em que, muitas vezes, existe perda total do cabelo”.
Devido aos laços de confiança transmitidos entre Cabeleireira e cliente, há muitas que se transformam em muito mais: “desde que abri o meu salão, tenho clientes semanais, já não são apenas clientes, são amigas que, conosco, partilham as suas histórias de vida e merecem todo o nosso cuidado, respeito, dedicação e carinho”.
Para Suzy, um bom Cabeleireiro faz-se de técnica e aprendizagem constante, um conjunto: “nesta profissão temos de estar, constantemente, a beber da fonte da criatividade, estar sempre atualizada no mercado das tendências”.
Mas, mais do que isto. Para esta profissional, a diferença entre um Cabeleireiro e um bom Cabeleireiro é, no fundo ele próprio, a sua identidade e marca pessoal: “as mãos e a mente de cada um de nós executa de uma maneira diferente, tudo depende do quão expandido está o nosso conhecimento; para além de fazer, de executar, é preciso ter amor, gosto e brio no acabamento, seja de que serviço for”.
Susana Pascoal é a Cabeleireira. Suzy, a Cantora. Uma vive na outra e não existe uma sem a outra.
Na cabeça da Cabeleireira, há sempre uma música interior, principalmente quando executa trabalhos mais demorados. Gravou o primeiro álbum aos 16 anos de idade. Atualmente, conta com dois álbuns e seis singles.
Sobre se se sente mais Cabeleireira ou Cantora, a resposta é peremptória: “sinto-me exatamente as duas; o Cabeleireiro ocupa, maioritariamente, a minha vida, mas a música vive dentro de mim e é nela que ganho força para seguir”.
Duas formas de arte que se cruzam nos muitos palcos, nacionais e (continente e ilhas) internacionais (França, Alemanha, Suíça, Canadá e New Jersey) que Suzy já pisou e continua a pisar: “eu própria arranjo o meu cabelo para todos os concertos e, por vezes, nos bastidores do palco ou da televisão, antes de entrar em palco, coloco em prática as minha mãos nas minhas bailarinas, ajustando algum penteado e troco opiniões com colegas que trabalham nos bastidores da televisão”.
Tanto os cabelos, como a música, farão sempre parte da vida de Suzy: “foi o que sempre quis ser; houve alturas em que ponderei desistir mas, por mais que quisesse mudar o rumo, nada me preenchia; apesar do cansaço, sempre que saio para trabalhar, no salão ou no palco, vou de corpo e alma abertos e faço-o com amor”.
